Aprendendo a valorizar a vida…
Rio de Janeiro, 14 de abril de 2009
Vindo para o aeroporto Santos Dumond, para dar continuidade ao meu roteiro – maratona de ministrações, observo a beleza carregada de beleza que a paisagem me proporciona.
Ao longo do trajeto, abraço o céu, a praia, as ruas, as árvores, as gentes, os monumentos… abraço tudo com os meus olhos. Tudo enche os meus olhos. Entra e preenche o meu coração. Penso em como a vida é preciosa, linda, pontuada de inúmeras oportunidades de redenção. E de sorrisos.
E, se hoje, for o último dia de alguém na Terra? Será que esta pessoa lançará os últimos olhares sobre os detalhes de tudo, de cada coisa que está ao seu redor?
Será que vai sorrir sem pesar? Ou vai chorar, emocionada, com o coração dividido entre o privilégio de ter vivido e chegado até ali, e a angústia apertando o peito por saber que terá só mais aquele dia na Terra? Será que encontrará beleza mesmo diante de uma parede fria? Acaso achará beleza ao avistar uma carrocinha de pipoca em frente a um cinema antigo? Ou achará bonito demais aquele senhor, assentado no canto de uma esquina suja, com seu olhar perdido e a barba por fazer? Será que vai querer comprar a pipoquinha, assistir ao filme, conversar com aquele senhor? O que ele fará? Afinal, é seu último dia na Terra…
É assustador ver como deixamos a vida passar por nós. Passar assim, tantas vezes desapercebida. Incógnita. Fria. Impessoal. Intocada. Não admirada. Não observada. Não vista. Não re-conhecida. Não adquirida. Não compreendida.
Esta ótica, cheia de melancolia, não é indício de tristeza em minha alma. Pelo contrário, estou serena, feliz e absorvendo, completamente estasiada, a beleza da paisagem ao meu redor. Curtindo cada momento deste dia. Isso é despertamento. É uma espécie de alerta, daqueles alertas que periodicamente aparecem para mim. É a mão de Deus. É a Sua voz, mansa e suave, chamando minha atenção:
“– Se você não usufrui do que está disponível diariamente a você e acessível gratuitamente ao olhar, ao alcance das mãos, ao saciar do coração, para desfrutar de alegrias, bênçãos, paz, descanso para a alma – como dará valor ao que se exige pagar um alto preço pra viver, lutar, vencer e conquistar?”
“– Se não reconhece este bem que Eu te dou, sem dinheiro e sem preço, o que fará com os Meus sonhos?”
Como não valorizar o sol no rosto, e os dias em que se pode ficar à toa?
Como não agradecer pela maratona de um trabalho árduo, a cama em que se dorme, o chuveiro que não nega um bom banho, e um ovinho mexido com arroz e tomate?
E o que dizer sobre encontrar-se com aquele grande amigo, e poder conversar, e abrir o coração, e compartilhar os sonhos… e possuir um número respeitado de relacionamentos que aumentam e são fortalecidos com o passar dos anos, e uma família com seus defeitos, mas que nunca te deixou na mão?
Essas riquezas, e inúmeras outras, existem e estão aí, todos os dias, diante de nossos olhos. Temos que acordar para elas. Temos que sorrir para elas. Temos que amá-las, e cuidar para não perdê-las. Temos que reconhecer em cada uma delas, o amor de Deus sobre nós e valorizar sua existência segundo Ele mesmo deseja. Porque elas dão sentido à nossa própria existência. E valorizam o próprio fato de estarmos vivos. Então, se isto tão somente se tornar um exercício prático de viver, quando o último dia na Terra chegar para cada um de nós, certamente tudo terá valido à pena. Uma vida sem estes valores vívidos e vividos é uma vida pobre. Mas uma vida que absorve e aprende a cada dia mais aproveitar, desfrutar, com alegria, paixão e prazer cada riqueza como estas acima, é uma vida rica.
Com amor,
Pra Ludmila
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